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História

Gracie Elite Icaraí / História

História do Jiu Jitsu

Segundo alguns historiadores o Jiu-jitsu ou “arte suave”, nasceu na Índia em meados de 2000 a.C., e era praticado por monges budistas. Preocupados com a auto defesa, os monges desenvolveram uma técnica baseada nos princípios do equilíbrio, do sistema de articulação do corpo e das alavancas, neutralizando uma agressão sem necessariamente machucar o agressor. Envolvido por importantes princípios budistas como o de agir de um modo não-prejudicial ou da busca do domínio próprio e do esclarecimento, o Jiu-Jitsu atendeu muito bem as necessidades de defesa pessoal dos monges e se espalhou por toda a Ásia em direção a China e mais tarde ao Japão, seguindo a expansão do budismo no continente. Embora seja seguro presumir que versões rudimentares do Jiu-Jitsu tenham surgido em muitas culturas e em diferentes momentos, foi no Japão feudal que a arte encontrou um terreno fértil que permitiu que ela se desenvolvesse e se estabelecesse como um estilo de combate muito difundido. Num país dividido pelo sistema feudal, com cada feudo tendo seu próprio grupo de guerreiros – os samurais – o Jiu-Jitsu se tornou uma habilidade de luta necessária para a sobrevivência de combate. Mas o termo Jiu-Jitsu não foi criado até o século 17 d. C., tornando-se, após esse período, um termo comum para uma grande variedade de treinamentos relacionados a luta corpo a corpo. O Jiu-Jitsu se desenvolveu entre os samurais como uma maneira de derrotar, sem o uso de armas, um adversário armado e protegido com armadura. Os praticantes aprenderam que os métodos mais eficazes de neutralizar um inimigo assumiam a forma de imobilizações, chaves em articulações e quedas. Estas técnicas foram desenvolvidas em torno do princípio do uso da energia de um agressor contra ele próprio, ao invés de se opor a ela diretamente. Entretanto, com a Restauração Meiji, um movimento político que pôs fim ao sistema feudal japonês e deu início a industrialização do país, a prestigiosa classe dos samurais perdeu sua importância original. As radicais transformações políticas, culturais e sociais que aconteceram no Japão no século 19, fizeram o Jiu-Jitsu passar de uma arte de combate respeitável para prática ilegal, enquanto o governo se esforçava para repreender os combates sangrentos que estavam acontecendo entre os antigos e desempregados samurais e seus discípulos. Jigoro Kano (1860-1938), membro do Ministério de Cultura e Artes Marciais do Japão, teve um papel importante no resgate da reputação do Jiu-Jitsu em momentos de paz. Kano achava que o Jiu-Jitsu podia servir, não apenas como instrumento de luta, mas também como uma maneira eficaz de educar o indivíduo e permitir que homens e mulheres adotassem um estilo de vida mais equilibrado com o desenvolvimento do potencial de cada um. Em outras palavras, Kano percebeu que o Jiu-Jitsu poderia ser usado como uma poderosa ferramenta educacional capaz de favorecer o desenvolvimento de qualquer ser humano e o via como um apoio às metas japonesas de desenvolvimento social e econômico. Complementando sua atualizada filosofia de treinamento, Kano se esforçou em adotar novos métodos de ensino e retirar técnicas perigosas. Esta nova abordagem filosófica e metodológica da prática do Jiu-Jitsu – que ficou conhecida na época como Kano Jiu-Jitsu e mais tarde como Judô – causou um impacto muito positivo na sociedade japonesa e ajudou o Jiu-Jitsu a recuperar sua posição social que vinha decaindo desde a Restauração Meiji. Complementando a profunda filosofia e os inovadores métodos de treinamento de Kano, muitas regras foram introduzidas a fim de redefinir o foco da prática e a luta de chão – a parte principal do Jiu-Jitsu Brasileiro – foi menosprezada restringindo-se a poucos movimentos. Isso criou um paradoxo interessante: embora as mudanças feitas por Kano tivessem contribuído tremendamente para a sobrevivência da tradição de uma arte marcial milenar, o foco nas quedas criou um estilo de luta fragmentado que perdeu a ligação com a essência do Jiu-Jitsu e com a realidade do combate de verdade. Paralelamente a reconquista da reputação do Jiu-Jitsu na sociedade japonesa, ocorreu um declínio da luta de chão, que reunia as habilidades mais eficazes que o Jiu-Jitsu tinha a oferecer.

Entre os excepcionais alunos de Kano estava Mitsuyo Maeda, um lutador que se beneficiou com as inovações de Kano mas que tinha suas origens em outras escolas de Jiu-Jitsu que davam ênfase às habilidades de luta de chão e de defesa pessoal em situações reais de combate. Maeda, que mais tarde ficou conhecido como Conde Koma, tinha habilidades acima da média e foi mandado ao exterior para ajudar a difundir o Jiu-Jitsu em diferentes culturas. Após viajar para muitos lugares incluindo os Estados Unidos, a América Central e Europa, Maeda desembarcou no Brasil em 1914.
Carlos Gracie em 1916Ao fixar residência em Belém do Pará, no ano seguinte, era natural que Maeda fizesse uso de suas notáveis habilidades de luta em demonstrações, apresentações e até em circos como forma de ganhar a vida e de disseminar a cultura japonesa. Em uma de suas demonstrações, conheceu Gastão Gracie, de quem se tornou amigo. Pai de oito filhos, cinco homens e três mulheres, Gastão tornou-se um entusiasta do jiu-jitsu e levou o mais velho, Carlos, então um jovem rebelde e irrequieto, para aprender a luta com o japonês.
Franzino por natureza, aos 15 anos, Carlos Gracie entusiasmou-se com a capacidade de Maeda em derrotar adversários muito maiores e mais fortes com sua técnica. Foi aí que Carlos Gracie encontrou no Jiu Jitsu um meio de realização pessoal.
Os treinamentos sob a orientação de Maeda tiveram um impacto profundo em sua mente. Ele jamais havia sentido o nível de autocontrole e autoconfiança proporcionado pela prática do Jiu-Jitsu. A afinidade que podia sentir com o próprio corpo a cada treino fez com que Carlos passasse a ter uma compreensão maior de sua natureza, de suas limitações e de suas forças, e lhe trouxe um sentimento de paz que ele nunca tinha sentido antes.
Os momentos com Maeda não duraram muito tempo. Passados menos de 5 anos do dia em que começou a treinar, Carlos teve que se mudar para o Rio de Janeiro junto com seus pais e irmãos. Chegando na então capital do Brasil com 19 anos, Carlos Gracie encontrou dificuldade em se adaptar à nova vida e trabalhar num emprego normal. Apesar de trabalhar em instituições do governo, o espírito rebelde de Carlos não o deixava em paz. O desejo de aperfeiçoar e ensinar a arte que tinha aprendido com Maeda já estava vivo e ele decidiu ir em busca disso.
A profissão de professor de artes marciais no começo do século 20 no Brasil não era exatamente a mais promissora. O conhecimento que as pessoas tinham a respeito disso era praticamente inexistente, o que tornava muito difícil encontrar alunos dispostos a pagar para aprender. Mas Carlos optou pelo Jiu Jitsu como um ideal pelo qual valia a pena lutar e o adotou com força e determinação.
Viajou para Belo Horizonte e depois para São Paulo, ministrando aulas e vencendo adversários bem mais fortes fisicamente. Em 1925, voltou ao Rio e abriu a primeira Academia Gracie de Jiu Jitsu, na Rua Marquês de Abrantes, nº 106.

Com 23 anos de idade, Carlos Gracie conhecia bem os extraordinários benefícios que o Jiu Jitsu poderia proporcionar à vida de uma pessoa e a fundação de uma escola representava um marco muito importante em seu projeto de fazer do Jiu-Jitsu um esporte nacional. A escola da Marquês de Abrantes não era exatamente o que se espera de uma organização pioneira e tão poderosa quanto a do Jiu-Jitsu Gracie. Com poucos recursos e preocupado com o bem estar de seus irmãos mais novos, tudo que o Carlos podia oferecer era uma pequena casa cuja sala de estar ele transformou numa área de treinamento. Nessa casa, Carlos juntou seus irmãos e os envolveu em seu projeto de vida. Ele sabia que seria impossível realizar um trabalho tão grande como esse sozinho e começou a ensinar os mais novos – Oswaldo (1904), Gastão (1906), George (1911) e Hélio (1913). A primeira geração de irmãos Gracie que morou e trabalhou nessa mesma casa parece ter criado o espírito da família que foi transmitido por gerações e que foi tão importante para o extraordinário sucesso que a Família Gracie alcançou ao longo dos anos.

Os irmãos Gracie

Carlos Gracie

Responsável pela transformação e aperfeiçoamento do Jiu Jitsu japonês, criador do Jiu Jitsu Brasileiro ou Gracie Jiu Jitsu. Foi o professor e mentor dos irmãos, e criador da Dinastia Gracie.

George Gracie

Nascido em 1911, o Gato Ruivo, como era conhecido, recebeu atenção especial de Carlos por suas excepcionais habilidades. Talvez isso explique o porquê dele ter sido o que mais participou de disputas de MMA e de Jiu-Jitsu entre os irmãos. Além de grande lutador, George foi professor e mentor e contribuiu muito para a disseminação do Jiu-Jitsu em diferentes regiões do Brasil.

Gastão Gracie Jr.

Quando a Escola Gracie foi aberta, Gastão Gracie estava com apenas 19 anos de idade e já tinha um conhecimento básico de Jiu-Jitsu. Já que não gostava de lutar, ele ficou responsável pelas aulas e pela parte administrativa e continuou seus estudos até se formar.

Oswaldo Gracie

Com vinte e poucos anos, Oswaldo também era um lutador muito talentoso. Como tal, ele ajudou a consagrar o nome Gracie e sua contribuição como instrutor na escola de Carlos também foi muito importante. Em 1934, Oswaldo se mudou para Belo Horizonte e abriu uma Escola Gracie seguindo a mesma estrutura de programa criada por Carlos na Escola da Marquês de Abrantes. Anos mais tarde, ele se tornou instrutor da Polícia local, posição que manteve até o fim da vida. Apesar de morar em outro estado, ele nunca perdeu o contato com seus irmãos. Oswaldo lutou muitas vezes e ficou famoso por seu combate com João Baldi, um lutador de Greco-Romana duas vezes maior que ele. Oswaldo finalizou a luta com um estrangulamento em menos de um minuto.

Hélio Gracie

Hélio Gracie era criança quando a escola da Marquês de Abrantes abriu suas portas em 1925. Gradualmente, foi se envolvendo com o ensino do Jiu Jitsu. Sob a tutela de seu irmão, instrutor e mentor Carlos, Hélio participou de inúmeras lutas, inclusive uma com duração de 3h e 43min contra Valdemar Santana, um ex-aluno. A coragem, a persistência e a disciplina de Hélio fizeram dele um herói nacional. Na medida em que foi ficando mais velho, Carlos passou a se dedicar mais a sua pesquisa sobre nutrição e exercícios e a se empenhar em sua busca por esclarecimento espiritual. Carlos passou entao o controle da academia para Helio, que se envolveu diretamente com a administracao da Escola Gracie, que a essa altura se localizava numa instalacao bem maior, na Av. Rio Branco no Centro do Rio de Janeiro. Helio continuou tendo em Carlos seu guru e lider espiritual.

Carlos, Gastão, Oswaldo, George e Hélio formaram a primeira geração de lutadores Gracie. Apesar de Carlos e Hélio terem se tornado muito próximos e de terem trabalhado e morado juntos por décadas, os cinco irmãos deram uma enorme contribuição para o crescimento do Jiu-Jitsu no Brasil na primeira metade do século 20.
Carlos também transmitiu-lhes sua filosofia de vida e conceitos de alimentação natural, sendo um pioneiro na criação de uma dieta especial para atletas, a Dieta Gracie, transformando o Jiu Jitsu em sinônimo de saúde.

A Globalização do Jiu Jitsu Gracie

Enquanto, no Brasil, o Jiu-Jitsu evoluiu para níveis de desenvolvimento técnico nunca antes alcançados na luta de chão, outras artes como o Karatê, o Tae Kwon Do e o Judô se popularizaram bastante graças aos filmes de Hollywood e às Olimpíadas. Embora essas artes marciais tenham técnicas muito boas, eles se restringem a apenas um aspecto do combate real e, só funcionam desde que respeitada uma série de regras que garantem as circunstâncias em que essas técnicas são eficientes. Gerações de praticantes de artes marciais passam muitos anos aprendendo um aspecto da luta (socos e chutes, quedas ou imobilizações), acreditando que isso seja suficiente em situações reais. Em 1993, esse pressuposto enfrentou seu maior desafio quando Rorion Gracie organizou o primeiro UFC nos Estados Unidos, levando ao mundo uma competição de Vale Tudo nos moldes do “Desafio Gracie” criado pelo Grande Mestre Carlos Gracie na década de 20 no Brasil. O mundo ficou surpreso quando um lutador mais leve e, aparentemente, mais fraco, chamado Royce Gracie, derrotou todos os seus adversários lutando basicamente no chão, utilizando-se de estrangulamentos e chaves em articulações para fazê-los desistir da luta. Os praticantes de outras artes marciais começaram, então, a perceber que se não soubessem Jiu-Jitsu Brasileiro, tudo aquilo que sabiam de luta seria inútil contra um lutador de Jiu-Jitsu. Essa percepção provocou o que muitos chamam de “Revolução do Jiu-Jitsu Brasileiro” nas artes marciais. Uma grande mudança de foco e de treinamento da luta de chão se seguiu. Um impacto como esse no universo das artes marciais causou um grande aumento na procura pelo ensino do Jiu-Jitsu no mundo todo.

Ao modificar as técnicas do jiu-jitsu japonês, inovando, refinando e adaptando-as à sua constituição franzina, aplicando nas lutas que ele e os irmãos realizavam, Carlos Gracie iniciou o primeiro caso de mudança de nacionalidade de uma luta, ou esporte, na história esportiva mundial. Anos depois, a arte marcial passou a ser denominada de jiu-jitsu brasileiro, sendo exportada para o mundo todo, inclusive para o Japão.
No Brasil, o Jiu Jitsu conta com mais de meio milhão de praticantes, em mais de 1500 estabelecimentos de ensino. O país continua como um verdadeiro celeiro de campeões mundiais, seja no Jiu Jitsu, Submission ou MMA.
As Academias Rilion Gracie, representantes legítimas do mais autêntico Gracie Brazilian Jiu Jitsu, estão presentes em mais de 40 cidades em 3 continentes.

Uma homenagem a um dos lutadores mais talentosos da história do Jiu Jitsu.

Na década de 70, foi um filho de Carlos, Rolls Gracie, o grande responsável pelo início de uma “nova era” no Jiu Jitsu. Muitos apontam “Roles” (como os amigos e a família o chamavam) como o elo de ligação entre o “Jiu Jitsu antigo” e o “Jiu Jitsu moderno”, praticado atualmente. O país atravessava momentos políticos tumultuados em função da ditadura militar e o Jiu Jitsu estava perdendo o seu glamour já que a cobertura da mídia não era tão grande quanto antes. Utilizando seu talento, carisma e suas habilidades de liderança, Rolls influenciou uma geração inteira de jovens do Rio de Janeiro com relação a prática do Jiu-Jitsu, do Surf e de um estilo de vida saudável.
Rolls Gracie Jiu JitsuExtremamente talentoso e empenhado em treinar e atingir seu potencial máximo como lutador, Rolls Gracie também tinha uma mente bastante aberta e um desejo grande de aprender qualquer coisa que pudesse melhorar seu Jiu-Jitsu. O que impressionava muitas pessoas não era apenas sua condição física e suas técnicas afiadas, mas também seu perfil moral e seu compromisso em alcançar a melhor condição. Durante sua adolescência, Rolls teve a oportunidade de visitar muitos países e de aprender Sambo, Judô e Luta Greco-Romana. Faixa-preta aos 16 anos, Rolls se tornou um jovem forte e definido com grande visão do Jiu-Jitsu e de sua carreira como lutador e professor. Uma das formas que ele encontrou para desenvolver o esporte foi disputando campeonatos, conseguindo, assim, que mais pessoas passassem a praticá-lo. Em 1976, participou de seu primeiro Vale-Tudo depois que um professor de Karatê o desafiou questionando a eficiência do Jiu-Jitsu durante uma demonstração em um programa de televisão. O desafio foi prontamente aceito e muitas lutas foram acertadas entre lutadores de Jiu-Jitsu e de Karatê para uma deteminada data. Todos os lutadores de Jiu-Jitsu venceram nesse dia mas o evento principal era, certamente, o que atraía mais atenção. Rolls Gracie e o Mestre de Karatê lutaram por alguns minutos e, então, Rolls aplicou uma bela queda, dominou as costas de seu adversário e finalizou a luta com um mata-leão. Rolls também abriu sua própria Escola Gracie seguindo o modelo criado por Carlson e que, pouco tempo depois, seria seguido por muitos membros da segunda geração da Família Gracie. Muito próximo do irmão mais velho Carlson, Rolls dividia com ele a mesma instalação na qual davam aulas em dias alternados. Infelizmente, Rolls deixou muito por fazer. Seu legado ainda está muito presente entre nós. Aos 31 anos de idade, Rolls Gracie veio a falecer num acidente de asa delta no Rio de Janeiro.